terça-feira, 11 de janeiro de 2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

Tia Dulce


Eram onze formigas em direção à parede. Subiriam até quase o teto, até entrar pelo buraco. Um trajeto comum. Engraçado como eram rápidas. A medir pelo seu tamanho, subir até o teto era uma distância enorme. Camelos em miniaturas, atravessando o deserto de tijolo aparente.

Agenda do consultório era lotadíssima... Só ali, na privada, podia arrumar um tempo para observar formigas. Minutos de merda e contemplação. Todos os dias, o mesmo trajeto.

Se uma viesse na contra-mão, um rápido toque de antenas corrigiria a trajetória. Ah, se o transito fosse assim! Daí pensava que as agendas, de cada uma delas, talvez fossem mais ocupadas que a dele. Sacudia a cabeça. Achava estranho encarar formigas como pessoas.

Principalmente pelo desconforto, em ser tão maior do que elas, em poder mudar aquele tracejar de soldado com o dedo mindinho. Ser grande era uma sina. Se pudesse, seria criança sempre. "Coma para crescer!", dizia tia Dulce. "Se eu crescer e quiser encolher de novo?".

Foi criado por ela. A madrinha. Irmã mais velha da mãe. Morava na casa da frente. Comia os farelos de lembrança daquele lugar. Sobrava o interior (da casa) de tia Dulce e apenas a fachada da sua casa.

Seus pais trabalhavam bastante. E as tardes eram mais brandas na casa da tia. "Tia Dulce, te adoça", brincava a mãe quando ia buscar o menino para o jantar.

Domingo vazio. Formigas trabalhando sem parar. A filha já não largava o celular cor-de-rosa. Presente ingrato e cruelmente necessário. ''Todo menina tem um, pai!''. Aos 12 anos, a filha quer ser tratada como uma adulta. Bastava-lhe um tropeço, uma topada para que mendigasse um beijinho, um gelinho, um abracinho... Ele se rendia. Derretido.

Tia Dulce ainda vivia na vila. No interior. Queria uma infância daquela para sua filha. A casa era a mesma. A dos seus pais fora demolida e o lugar virou um mercadinho. Ele pegou o carro e partiu viagem.

"Tia, vim lhe fazer uma visita". Ela o olhou com estranhamento, mas, em seguida abriu um sorriso. "É Felipe?".

"A senhora vai bem?", ela sorria. Nos olhos, um azul desbotado. E o silêncio dos estranhos.

"Dona Dulce, vamos?", a cozinheira chamava para dormir. "Vamos, Dona Dulce", ela respondia, se levantava e saia. "Apareça mais, Felipe, a casa é sua".

"Tá esquecida", dizia a cozinheira na volta. "O senhor é o doutor Felipe mesmo?". "Sim...". "Ela chama todos de Felipe. O entregador de água, o carteiro. A maioria daqui já sabe, tem uns que acham graça".

Com as chave do carro na mão, olhava o mercardinho com força. O movimento da rua. As motos barulhentas. O homem fechando as portas de ferro e graxa. O céu azul desbotado."Não fecha a porta", disse para a cozinheira. Entrou na casa. Entrou no quarto de visitas. Dormiu.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Náufrago

O mar,
jogando suas ondas na parede
na porta de entrada.
Molhando o tapete de boas-vindas.

As ondas vindo,
depois voltando...
Com toda areia que o mar carrega e deixa.
Tudo aquilo que o mar leva...

E o tapete que bóia em águas profundas
talvez nunca mais volte.
"Bem-vindo".

Dentro da casa,
o menino sonha com coisas batendo à porta.
É o mar e ele nem sabe.
Todo o oceano ruge na sua frente.
Vem da África, de Portugal.
O Atlântico esmurra a entrada.
Mas ele acha que são monstros
apenas.

A baba dos monstros já molha a barra do lençol de Superman.
E sente medo.
Se cobre mais.
E sente frio.

(poesia tirada do meu livro "Lá no alto a pipa vermelha tentava empinar o menino no chão", 2010)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tenho & posso ter tristeza


Juro que ouvi! Uma onomatoupeira fazendo um buraco naquele quintal. E os óculos escuros da moça refletem seu próprio nariz, lembrando um coração. Cisc, Cisc, ouvi novamente! Não fui eu Dorinha, foi o vento. O vento chutou a bola. A bola voou, voou. Se não tivesse vento dentro da bola, se o vento não tivesse chutado a bola... Até onde eu me lembro, tava no meu pé e PUF! Os óculos da moça são cor de rosa. Lá vem ela atravessando a rua. O jarro caindo no chão. O jarro cheio de água. E minha boca seca. Vai cair no quintal e quebrar. O gramado é a cabeça de um senhor de cabelos verdes e o "Cisc, Cisc" da onomatoupeira cava dentro do seu cérebro. Ai! Não fui eu, Dorinha, foi o vento. Moça, dá cá um beijo! Quero ver meu nariz refletido no teu óculos também. Dorinha tá varrendo a praia. A praia ainda tá cheia de areia. Dorinha não cansa, não cansa, não cansa. Ainda bem que hoje tá nublado. A neblina cobre o Corcovado e o Cristo pode, enfim, coçar a orelha. Foi o vento, Dorinha. O vento fez gol na janela. Fez gol na janela e me derrubou o goleiro. Que caímos, cheio de água e flor. Minha boca seca, rachando. Moça! Dá cá um beijo. Ninguém tá olhando, tá nublado. Tudo nublado. Quero ver meu nariz no teu óculos. O jarro vai rachar no quintal. Dorinha agora já sabe, ninguém olha. Ninguém vê. Levanta o mar e varre toda a areia para debaixo do mar. Foi o vento! Tá nublado. O cristo pode coçar o ouvido, posso lamber meu catarro. Eu. O jarro. Pode cair da janela. Da cá um beijo! Ai! Ai! A onomatopeira cava dentro da cabeça do senhor de cabelos verdes. Juro que ouvi.
Já não ouço mais.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A procura


"Estou procurando...", falava em tom ameno, com os dois olhos girando numa roleta. Sua mão direita encostava nos lábios secos. Lentamente. Tudo em si era lento, menos os dois olhos. Esses, muito embora, de vez em quando paravam. E, vagarosamente, cobriam-se com as pálpebras. A frenesia agora contaminava a mão, que saia da boca para coçar atrás da cabeça. "Estou...".
Aquele banco sempre o confortara. Era o seu banco, embora a Prefeitura da Cidade do Recife, juntamente com a CTTU (Companhia de Trânsito e Transporte Urbano), alegasse que o local era público. Mesmo assim, ninguém nunca o incomodou, penso.
Noites e dias varava como um disco arranhado: "estou procurando...". Se não fosse por pessoas caridosas como eu, na certa passaria fome. Depois de arrancar toda carne dos dedos já roídos, sobrando somente os ossos. Que horror!
Ele vestia uma camisa branca, amarelada, de botão. Encardida, amassada. Uma calça preta, dobrada até o joelho. Apenas uma sandália Havaianas e o outro pé desnudo. "O senhor tem nome?". Olhava-me com os olhos confusos. Engolia seco. "Um nome, qual é seu nome?". Era como um cão. Suas sobrancelhas franzidas... Assim que via o tupperware com comida, estendia as mãos. "Estou procurando...", dizia. "O que o senhor procura?". Era um cão. Fazia barulho comendo, arrancava a pele da galinha vorazmente. E não limpava o rosto.
"Dona Nice, queria que a senhora fizesse um vestidinho igual a esse aqui, ó", a cliente mostrava então a revista da qual eu devia copiar a peça de roupa. E eu copiava. Cada detalhe.
Ele devia ser um porteiro de algum prédio de rico. A barba e o cabelo longos, assanhados. Passava a noite na frente de uma televisão com as câmeras de segurança, procurando um possível ladrão. Podia, talvez, ser um vendedor do varejo, daqueles que passam o dia ditando as ofertas em um microfone. "Estou procurando...".
Aprendi a costurar com minha avó. Sempre fui muito boa com trabalhos manuais. Era muito boa... agora com a máquina de costura elétrica, qualquer uma. "Vamos ver o cabimento. O que acha?". "Ficou linda, dona Nice!".
Das dez da manhã até o meio dia, aproximadamente, o sol fica quase constante em cima dele. Nada, ninguém o perturbava. Ele nem olhava para os carros. Devia ser um motorista, um chofer. Deve ter esquecido a chave do carro em algum lugar, não teve coragem de contar ao seu patrão o absurdo, nem de voltar para casa sem emprego. Da minha janela eu podia ver a rua, os postes, a calçada, a parada de ônibus do outro lado da rua, algumas árvores, um colégio... Depois dele, só conseguia enxergá-lo. Esse homem, pendurado em um vazio, e o vazio que ele carregava.
Nesse dia eu estava fazendo mais um vestido para uma de minhas sobrinhas, aproveito sempre a falta de demanda para costurar para elas. Marina... Ia ser seu aniversário. Ela me disse uma vez que queria um vestido igual ao de Amanda-da-novela. Eu até tinha guardado uma foto de uma revista... Procurei na minha gaveta, não estava lá. Nem no armário, na cômoda, prateleira... Não estava em lugar nenhum. O aniversário de Nina estava próximo... De vez em quando eu deixo as referências em baixo da máquina mesmo. Só tinha uns papeis, contas atrasadas.
O homem continuava parado, sentado, debaixo do sol, sujo, fedendo, com a barba e o cabelo grande, sem sapato, a calça dobrada, as unhas encardidas, curvo, com aquela mão nojenta, ora na boca, ora na cabeça, a roupa manchada, amassada, repetindo, irritantemente, os mesmos movimentos, a mesma frase, pergunta, olhos negros, confusos, se ninando para frente, trás e para frente, "estou procurando, estou procurando, estou procurando...".
"O QUÊ?!?!"
Do outro lado da rua, finalmente me olhava. Acho que me olhava. "PROCURANDO O QUÊ, SEU MALUCO?!?!". Era um cão, estou certa disso. Finalmente me olhava. Junto com algumas pessoas da rua, me olhava. Foi quando eu resolvi telefonar... Mas eles disseram que não podiam fazer nada, estavam sem vagas... E se ele não tinha ferido ninguém, não causava mau nenhum... Tentei arrastar minha máquina de costura para o canto, tirá-la da frente da janela. Mas a idade... Ela é muito pesada, a mesa também é robusta... Minhas costas... Saí de casa com o tupperware cheio de comida, estava chegando a hora do almoço. "TOMA!". Estendeu a mão. "Se não fosse eu... olha, sei não, viu?". Ele comeu tudo, não limpou o rosto. Fedia.
Tinha 1,74 de altura. 1,18... 1,20 de cintura. Calçava 39. E depois de tomado banho, limpo, eu ter cortado-lhe o cabelo, feito-lhe a barba - sou boa com trabalhos manuais. Voltou sozinho para o ponto de ônibus. Camisa azul, listrada, de botão, sapatos pretos, calça quadriculada, bege.
Hoje, acho que olhou pra mim. Acho que olhou e acenou assim que me viu. Peguei meus óculos. Acho que ele tentou me acenar. Me viu, lembrou de mim e acenou. Me levantei. Abriu a boca em meio ao aceno. Iria dizer "obrigado por tudo", iria dizer qualquer coisa assim... Eu estava por retribuir o adeus, mas um ônibus vermelho parou na sua frente.
E ele sumiu.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Queimada


O cheiro chegou na frente.
Impetuoso
odor cinzento.
Logo, o cobertor
turvo
cobria os vastos membros
envolvendo as folhas.

Ela pressentia o calor.
Do alto.
Onde a vista apontava
para o fim de tarde ensanguentado
As nuvens em chamas.
Enrubescidas.

Mas o homem precisava de carvão.
Era necessário virar carvão.

Foi quando sentiu o fogo.
A seiva queimando.
E ali se permitiu cair.

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Poesia tirada do meu livro "Lá no alto a pipa vermelha tentava empinar o menino no chão", 2010

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A arvore e a moça


meu amor
e a árvore, as folhas, os galhos;
seus cabelos
e o sol que alisa o verde, os vários verdes;
seus olhos
e as flores, os ninhos, os pássaros;
seus seios
e as raízes, a casca, o tronco;
o corpo despido.
os pés em terra úmida.
e um entalhe em seu peito
com nossas iniciais.


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Poesia tirada do meu livro "Lá no alto a pipa vermelha tentava empinar o menino no chão", 2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Festa no céu

Fiz alguns desenhos em homenagem aos 100 anos de Noel Rosa. São algumas das imagens sugeridas pela letra de Festa no céu:

"O leão ia casar
Com sua noiva leoa,
E São Pedro, pra agrada,
Preparou uma festa boa.

Mandou logo um telegrama
Convidando o bicho macho
Que levasse todas dama
Que existisse cá por baixo.

Pois tinha uma bela mesa
E um piano no salão.
Findo o baile, por surpresa,
No banquete do leão

Os bicho todo avisado
Tavam esperando o dia
Tudo tava preparado
Pra entra enfim na orgia.

E no tal dia marcado
Os bicho tomaram banho
Foram pro céu alinhado
Tudo em ordem por tamanho.

O mosquito entrou na sala
Com um charuto na boca;
Percevejo de bengala,
E a barata entrou de toca

Zunindo qual uma seta,
Foi o pingüim do Pólo;
O peixe de bicicleta
Como o tamanduá no colo;



O siri chegou atrasado
No bico de um passarinho,
Pois muito tinha custado
Pra bota seu colarinho.

E o gato foi de luva
Pra assisti o casório;
Jacaré de guarda-chuva
E a cobra de suspensório,

O porco de terno branco
Com um sapato de sola;
E o tigre de tamanco
De casaco e de cartola.

De lacinho à borboleta
Foi o cabrito faceiro;
E o burro de luneta
Montado num carroceiro;

O macaco com a macaca
Com rouge pelo focinho;
Estava engraçada a vaca
De porta-seio e corpinho.

Vou breviá o discurso
Pra não dizê tanto nome:
Lá foi a mulhê do urso
De cabeleira A la home;

Quando o leão foi entrando,
São Pedro muito se riu
E pro bicho foi gritando:
Caiu 1º de abril."


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Incerta vez flagrei uma menina sonhando na praia.



Estou pensando em por a culpa nesse sol escaldante. Perdão, mas este aqui não sou eu. Certo que estava em casa, ocioso, e que agora, graças ao tão pomposo "Astro Rei" (!), estou aqui. Melando meus pés de areia, me queimando feito um condenado. Vocês já viram a minha pele? É alva feito um sorvete de coco. E capaz de se derreter tal qual.
Não fui feito para esse clima daqui. Sou descendente direto da linhagem nórdica. De avô sueco. O que faço debaixo dessa bola de fogo, com os glúteos postos sobre grãos de brasa?
De antemão digo que, não adianta, não entro nem em piscina. Por mais rasa que seja, tenho medo de me afogar. E não me imagino nem molhando os pés na baba desse mostro Oceano.
Tem mais! Homem já é animal de sangue quente. Não tem o porquê dessa "reptilidade" toda... A necessidade de forrar a areia com uma canga e passar o dia estirado. Ainda mais ouvindo o rugido de mar, violento. Isso é paz?
Bem, mas estou aqui. Culpa do sol. Não vou fazer mais reclamações. Ainda bem que trouxe meu livro... "Há algo de QUENTE no reino da Dinamarca". Meu Deus! Me ajude. Esses dois olhos azuis que o senhor me deu, Deus, desculpe, mas estão dificultando a leitura. Se eu coloco os óculos escuros, não posso colocar os de grau. E esse papel consegue ser mais branco do que minha pele, sua branquidão parece espetar a alma...
Para tudo. O que é isso?
Delicada como um floco de neve. Suavemente escorrendo pelas areias. Ergue sua toalha e o vento, que até então não existia, faz questão de soprar. Essa brisa alpina, que agora brinca com os longos cabelos dela. Qual deve ser seu nome? O que faz nesse inferno? Qual foi o seu pecado? Deita-se sobre a canga azul. Sozinha. Dorme.
A praia, de repente, fica deserta. O mar acalma sua fera. Me vejo, um passo a frente de mim, se aproximando dela. Meus pensamentos são tão indecentes que o sol se esconde atrás das nuvens.
Doce. Ela é tão doce. Perdão, querida, posso me sentar ao seu lado? Seu olhar é confuso, sonolento e seguido de um leve sorriso. Ela se senta. Fazemos um voto tácito de silêncio, enquanto observamos o mar mudar de cor. É lindo. Ele está brincando de nos imitar. Nós, dois camaleões na praia - do branco da cidade ao vermelho das areias. Nos camuflando.
Estou sonhando? Não sinto mais calor... Ela me responde que não, não estou sonhando. E até me belisca no tórax, me fazendo cócegas. Estou sonhando? Ela me diz que não, não estou sonhando. E até me empurra o tórax, me fazendo rir. Ela me diz que NÃO, NÃO ESTOU SONHANDO! E até me dá uma massagem cardíaca em meu tórax, me fazendo acordar. Ainda na ambulância.
Insolação: culpa do sol.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O que vais fazer?


Perguntava, fazer o que mais tarde. Não sabia responder. Sabia o que iria fazer de noite, mas não se pergunta algo desse tipo. Não é normal.
As outras sentavam caladas e, como em um elevador, falavam sobre o clima, sobre as horas... Ela não. Me vinha com essa o que fará mais tarde, ora.
Não lembro exatamente como falava. O que vai fazer... Não, era algo mais intimo, tu vai.. não sei. Sei que me olhava com aqueles dois dobermans pretos desprendidos do seu rosto.
E-eu vou para casa, ver o jornal. Ela abaixava, tirando a roupa, tentava fisgar um assunto. Tens visto a novela? Desculpa, não vejo novela.
Quando calada, incomodava bastante. Tinha que botar sempre batom? Não tinha cuidado com a roupa, deixava-a amassada, no chão mesmo. Mas era impecável com a maquilagem.
Calcinha semitransparente. Não que importasse...
- A senhora devia pendurar isso tudo no cabide...
- E a crise internacional, uma coisa, não?
- É, uma coisa... quer que eu pendure para você?
Ela mesma ia, delicada; e largava tudo de qualquer jeito em cima da mesa. Ainda voltava sorrindo. Nua. Já não conseguia mais enxergar aquele rosto. Fazia questão de esquecer a cor do cabelo loiro, do batom vermelho... De ferro e bronze o tem das onze voltará... a música tocava na minha cabeça e ela falava suas besteiras. Ao final de tudo, já vestida, não aguentei. Tive que mentir:
- Hoje a noite, lembrei, vou sair com uma amiga.
- É? Que bom.
- Sim, tem mais: você tem uma buce... uma saúde de ferro, NÃO VOLTE MAIS AQUI! Desculpa, não precisa mais voltar por um tempo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Renascença



a rede amarela balançava só.
folha, areia, vento
e a rede.
amarela e só.


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Poesia tirada do meu livro "Lá no alto a pipa vermelha tentava empinar o menino no chão", 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

O céu



Era a primeira vez que via o céu.
Sabia que era azul.
Sabia das nuvens, estrelas, do sol.

Tinha visto até em fotos antigas...
só não sabia que era tão triste.


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Poesia tirada do meu livro "Lá no alto a pipa vermelha tentava empinar o menino no chão", 2010